FAZER LOGIN COM O FACEBOOK ESQUECI MINHA PASSWORD SOU UM NOVO UTILIZADOR

Mastites: Aspetos a ter em conta no momento da secagem para as prevenir e controlar

Considera-se como o início da lactação de uma vaca o momento em que é seca e não o momento do parto. Uma boa gestão das vacas secas é com frequência negligenciada em muitas explorações leiteiras. As vacas secas são muitas vezes colocadas numa pastagem secundária e ignoradas e, consequentemente, surgem subalimentadas. Em outras explorações permanecem com o efetivo em ordenhas e pode ser sobrealimentadas, especialmente se tiverem acesso à sala de ordenha e consumirem as sobras de grãos, ou silagem de milho que esteja disponível. A gestão adequada das vacas secas é importante na preparação das vacas para a próxima lactação. Muitos distúrbios (por exemplo, a febre do leite, deslocamento do abomaso, retenção de placenta, infecções uterinas), uma diminuição da produção de leite e mastites clínicas podem ser evitados. Além disso, a forma como se gere as vacas secas também afeta a saúde e o desempenho do vitelo recém-nascido.

Calcula-se que o período seco deva ter pelo menos 40 dias de duração e, preferencialente, 50 a 70 dias, sendo que os maiores volumes de produção de leite durante a lactação seguinte ocorrem quando se opta por um período de 60 dias. Tem sido sugerido que nas vacas em primeira lactação o período de seca deva ser de 65 dias. Vacas secas durante menos de 40 dias têm rendimentos mais baixos durante a lactação seguinte. As explorações leiteiras devem reservar um dia por semana para a secagem de vacas, verificando os registos reprodutivos para determinar quais as vacas que vão parir dentro de 50-70 dias. Não devem deixar passar uma semana ou como resultado, as vacas terão um períodos seco demasiado curto. Além disso, quando as vacas são tratadas com um antibiótico intra-mamário aquando da secagem, é recomendado um período seco de um mínimo de 50 dias para evitar que, ao início da lactação, estejam presentes resíduos de antibiótico no leite. Qualquer vaca Holstein a produzir menos 9kg por dia deve ser seca uma vez que a probabilidade de infeção aumenta com a diminuição dos níveis de produção.

Para uma secagem adequada devem ter-se em conta alguns aspetos:

- Tratamento das vacas secas. Em média, 40-50% das vacas no efetivo podem ter infeções bacterianas subclínicas presentes no úbere. O leite é aparentemente normal, mas após cultura, agentes patogénicos causadores de mastite podem ser isolados a partir do leite. Assim, administre um produto para mastites no dia de secagem em todos os quartos do úbere. Antes do tratamento, desinfete os tetos com um produto germicida e após 30-45 segundos seque-os com papel. Remova cuidadosamente a ponta de protecção do tubo de tratamento. Não utilize tubos em que a cânula desprotegida tenha sido contaminada de alguma forma, por exemplo, caiu no chão, a cauda da vaca bateu-lhe, etc. Insira a cânula apenas parcialmente dentro do canal do teto. Imediatamente após o tratamento, os tetos devem ser novamente mergulhados num desinfetante. Este procedimento reduz infecções, a menos que os danos no úbere provocados por bactérias sejam muito graves ou se há tecido cicatricial a criar uma barreira. Além disso, tem uma eficácia estimada em 90-93% contra infeções subclínicas por Streptococcus agalactiae, 70-80% contra o Staphylococcus aureus e 70-90% contra streptococos ambientais. O tratamento de infecções por estafilococos durante a lactação pode ter uma eficácia igual ou menor a 50%. Testar cada vaca relativamente às contagens de células somáticas logo após o parto e comparar com os registos que tem neste parâmero na lactação anterior é sempre uma boa política. Uma CCS baixa sugere que o tratamento das vacas secas ou reduziu efetivamente qualquer infecção existente ou foram impedidas novas infeções durante o período seco. Uma CSS elevada indica que uma nova infecção se desenvolveu durante o período seco. Se esta tendência for uma constante em várias vacas, aconselha-se uma revisão de todo o programa de gestão da secagem, incluindo verificar a resistência ou sensibilidade a certos fármacos, a execução do tratamento, as instalações e o ambiente. Se a CSS já estava alta na lactação anterior e assim continua após o período seco, quer dizer que ou o tratamento foi ineficaz ou a infeção encapsulou e tornou-se resistente ao tratamento, o que pode ocorrer em infeções por S. aureus.


Foto: Aplicação de um antibiótico por via intramamária. Fonte: sna.agr.br

- Cultura de amostras de leite asséptico e avaliação da sensibilidade a antibióticos. Devem ser tiradas amostras de pelo menos 10-20% do efetivo para cultura ao longo do ano para determinar quais são os microrganismos predominantes. As amostras devem ser colhidas de vacas com novas infeções (opte por amostras de quartos com resultados positivos no TCM). O teste de sensibilidade a antibióticos aplicado nessas amostras revela se os microrganismos se tornaram ou não resistentes a algum antibiótico. Antibióticos que mostrem ter criado resistências não devem ser utilizados para o tratamento quer de vacas secas quer em lactação.

- Imunização com a vacina da E. coli. Uma investigação conduzida na Califórnia e Ohio mostrou que a vacinação com E. coli J5 à secagem, 30 dias após a secagem, e às 24 horas antes do parto reduziu a incidência de mastites em 80% e a gravidade das mastites clínicas por coliformes em 4 vezes. Assim, o consumo de matéria seca e a produção de leite apresentaram-se diminuídos em vacas controlo não vacinadas e expostas E. coli no úbere. Embora a proteção se tenha revelado maior em vacas mais velhas, foram observados efeitos logo na segunda e terceira lactações.

- Secar cedo. Fazer a secagem das vacas cedo permite a administração de antibióticos também mais cedo, o que pode aumentar a probabilidade de eliminar a infeção. O período seco pode ser aumentado em 30 ou 60 dias. Qualquer vaca com CCS de cerca de 300.000 durante a lactação podem ser secas e tratadas mais cedo do que o planeado, especialmente para vacas com produções de leite a rondar os 13-18 kg.

- Não secar. Em vacas com CSS elevadas logo no início da lactação deve-se retirar uma amostra de leite e cultivar. Se for identificado S. aureus a vaca não deve ir para reprodução e deve ser eliminada do efetivo logo que não deixe de ser rentável ou quando a exploração deixe de ser capaz de manter em isolamento as vacas infetadas. Enquanto permanecem no efetivo, estas são uma fonte de contínua de infecção.

Tratamento de novilhas. Novas infecções podem ser encontrados em muitas novilhas, quer na altura do parto quer no início da lactação. É frequente que infecções por S. aureus, se não tratadas, se tornem clínicas e recorram ao longo da primeira lactação e persistindo para a segunda lactação. Estudos no Louisiana examinaram a viabilidade da terapia antibiótica para novilhas. Um produto para vacas secas contendo penicilina e diidroestreptomicina foi administrada no primeiro, segundo ou terceiro trimestre de gravidez em 35 novilhas reprodutoras provenientes de quatro efetivos. Embora a prevalência da infeção e as CSS tenham reduzido após o tratamento em todos os três grupos de novilhas, aquelas tratadas durante o segundo trimestre de gravidez demonstraram uma maior redução de mastites e CSS ao parto. Acomode as novilhas num ambiente limpo e seco e verifique se há presença de resíduos de antibiótico no leite 3 a 5 dias após o parto e antes do leite ser colocado no tanque.

Adaptado pela equipa Milkpoint a partir do original "Proper Dry Cow Management Critical for Mastitis Control" de G. M. Jones (2009)

0

DEIXE SUA OPINIÃO SOBRE ESSE ARTIGO! SEGUIR COMENTÁRIOS

5000 caracteres restantes
ANEXAR IMAGEM
ANEXAR IMAGEM

Selecione a imagem

INSERIR VÍDEO
INSERIR VÍDEO

Copie o endereço (URL) do vídeo, direto da barra de endereços de seu navegador, e cole-a abaixo:

Todos os comentários são moderados pela equipe MilkPoint.PT, e as opiniões aqui expressas são de responsabilidade exclusiva dos leitores. Contamos com sua colaboração. Obrigado.

SEU COMENTÁRIO FOI ENVIADO COM SUCESSO!

Você pode fazer mais comentários se desejar. Eles serão publicados após a analise da nossa equipe.