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Nematodes gastrointestinais parasitas dos bovinos: Conhecimentos breves que podem melhorar a produção de leite

POR FRANCISCO MALCATA

CLÍNICA, REPRODUÇÃO & QUALIDADE DO LEITE

EM 23/01/2014

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Introdução

O parasitismo é um fenómeno bastante comum na Natureza que envolve a relação entre o hospedeiro e o parasita. Esta relação é prejudicial para o hospedeiro, quer por subtracção dos seus nutrientes, quer pelas lesões graves que pode provocar, sendo por outro lado benéfica para os parasitas, ao permitir-lhes a obtenção de nutrientes essenciais a todas as suas funções vitais (Sorci & Garnier, 2008).
Nos bovinos produtores de leite podem existir vários tipos de parasitas responsáveis por surtos de doenças parasitárias que se podem manifestar de duas maneiras distintas: através de sinais clínicos evidentes, afectando a saúde e o bem-estar dos animais, ou de forma subclínica, sem manifestações sintomatológicas, mas afectando negativamente o crescimento dos animais e a sua produção leiteira, podendo assim ter consequências económicas elevadas.
Um exemplo deste tipo de parasitas são os nemátodes gastrointestinais, vulgarmente conhecidos por “lombrigas”. São muito prevalentes em bovinos que pastoreiam em climas temperados, sobretudo em animais jovens.

Quais?

Os géneros mais frequentes são: Ostertagia, Trichostrongylus, Haemonchus, Cooperia Nematodirus (Divers & Peek, 2008), que podem estar presentes nos hospedeiros de forma única ou mista. O género Ostertagia, além de ser o mais prevalente, é também o mais patogénico (Agneessens, Claerebout, Dorny, Borgsteede, & Vercruysse, 2000).

Onde e como?

Estes parasitas podem ser encontrados no abomaso ou no intestino delgado e provocam alterações na parede destes órgãos. São responsáveis por diminuírem a ingestão de alimento, alterarem a motilidade gastrointestinal e a digestão proteica (Fox, 1997). Para este facto contribuem não só as características próprias de cada parasita e da carga parasitária existente, mas também os aspectos relacionados com a resistência do próprio hospedeiro (Bowman, 2009).

Ciclo biológico

Possuem uma fase não parasitária no ambiente e uma fase parasitária no interior do hospedeiro (Ilustração 1). A fase não parasitária inicia-se com a eliminação do ovo através das fezes do animal que, sob determinadas condições favoráveis de temperatura, humidade e de oxigénio, possibilita a sua eclosão, saindo do seu interior uma larva (L1). Posteriormente, esta larva, dependendo das condições ambientais, sofre duas mudas, a primeira dá origem à larva L2 e a segunda à larva infectante L3. Esta última possui uma bainha que a protege de condições ambientais desfavoráveis, até ser ingerida por um animal juntamente com a pastagem. A fase parasitária, já no interior do aparelho digestivo do hospedeiro, compreende as larvas L4, L5 e adultos que se reproduzem sexuadamente, produzindo ovos que serão eliminados nas fezes, dando posteriormente origem a um novo ciclo (Bowman, 2009).




Ilustração 1- Ciclo biológico dos nemátodes gastrointestinais (original).

Como detectar?

Os sinais clínicos são pouco específicos e podem ser perda de peso, diarreia e falta de apetite; no entanto estes sinais nem sempre estão presentes. Existem métodos directos e indirectos para diagnosticar os parasitas. Os métodos directos dão-nos a evidência de que os animais estão infectados com parasitas, como é o caso das técnicas de coprologia para detecção de ovos nas fezes ou a detecção de larvas em matadouro no aparelho digestivo dos animais.
Os métodos indirectos detectam alterações no animal que podem ser indicadoras da presença de parasitas, como por exemplo, o aumento da concentração sanguínea de pepsinogénio ou de gastrina (Roeber, Jex, & Gasser, 2013) e o doseamento de anticorpos frente a Ostertagia no soro sanguíneo e no leite individual ou do tanque (Sekiya, Zintl, & Doherty, 2013).
Todos estes métodos apresentam sensibilidades variáveis no diagnóstico pelo que os seus resultados exigem que sejam interpretados de acordo com parâmetros produtivos e práticas de maneio específicas de cada exploração em associação com o conhecimento das características epidemiológicas de cada parasita.

Como prevenir e controlar?

A forma de controlar ou prevenir a infecção pode ser baseada em (I) práticas de maneio que previnam a infecção ou reduzam a susceptibilidade dos animais aos parasitas e/ou no (II) uso de determinados fármacos com propriedades antiparasitárias.
(I) As práticas de maneio devem a) reduzir a possibilidade de contacto entre o parasita e o hospedeiro; b) estimular a imunidade do hospedeiro; c) provocar a eliminação do parasita do hospedeiro (Hoste & Torres-Acosta, 2011).
(II) Os fármacos antiparasitários devem ser administrados com prudência e o médico veterinário assistente de cada exploração deve ter atenção a vários aspectos: a) respeitar os intervalos de segurança; b) adequar a melhor época para a administração de acordo com a epidemiologia do parasita em questão; c) administrar a dose de acordo com o peso específico de cada animal; d) escolher a molécula mais indicada para o parasita que se pretende combater; f) compreender sobretudo a finalidade e o objectivo da administração de determinado fármaco tendo presente o raciocínio económico, a defesa do bem-estar animal e a noção de consequências, como o aumento da pressão de selecção por parasitas resistentes e a acumulação de resíduos no ambiente que podem advir da administração do fármaco de forma pouco fundamentada.

Agneessens, J., Claerebout, E., Dorny, P., Borgsteede, F. H., & Vercruysse, J. (2000). Nematode parasitism in adult dairy cows in Belgium. Veterinary Parasitology, 90(1–2), 83–92.
Bowman, D. D. (2009). Georgis’ Parasitology for Veterinarians (9a ed.). St. Louis, Misouri: Saunders Elsevier.
Divers, T. J., & Peek, S. F. (2008). Rebhun’s Diseases of Dairy Cattle (2a ed.). St. Louis, Misouri: Saunders Elsevier.
Fox, M. T. (1997). Pathophysiology of infection with gastrointestinal nematodes in domestic ruminants: recent developments. Veterinary Parasitology, 72(3–4), 285–308.
Hoste, H., & Torres-Acosta, J. F. J. (2011). Non chemical control of helminths in ruminants: Adapting solutions for changing worms in a changing world. Veterinary Parasitology, 180(1–2), 144–154.
Roeber, F., Jex, A. R., & Gasser, R. B. (2013). Advances in the diagnosis of key gastrointestinal nematode infections of livestock, with an emphasis on small ruminants. Biotechnology Advances.
Sekiya, M., Zintl, A., & Doherty, M. (2013). Bulk milk ELISA and the diagnosis of parasite infections in dairy herds: a review. Irish Veterinary Journal, 66(1), 14.
Sorci, G., & Garnier, S. (2008). Parasitism. In S. E. Jørgensen & B. D. Fath (Eds.), Encyclopedia of Ecology (pp. 2645–2650). Oxford: Academic Press.

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