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Novilhas também podem apresentar mastite?

*Artigo original MilkPoint Brasil, por Marcos Veiga Santos

A criação de animais jovens (vitelas e novilhas), seja para reposição do efetivo ou para venda, é uma atividade de elevado custo dentro de um sistema de produção de leite, pois durante todo o período de criação, que pode durar pelo menos 24 meses, o produtor investe em alimentação, mão de obra e capital, mas não tem retorno algum durante esta fase. Alguns estudos estimam que o custo de criação de novilhas é o segundo maior custo dentro de um sistema de produção, ficando apenas atrás dos custos de alimentação das vacas em lactação. Desta forma, para buscar alta rentabilidade e eficiência da produção de leite nas vacas adultas, é fundamental ter a disponibilidade de novilhas saudáveis, com elevado ganho de peso e que possam entrar no efetivo produtivo por volta dos 24 meses de idade. Por outro lado, deficiências de sanidade e maneio durante a fase de criação das novilhas podem reduzir a produtividade e aumentar os custo de produção de leite.

Historicamente, os programas de controlo de mastite têm como objetivo principal a implantação de medidas para a redução de novas infeções e a eliminação das infeções existentes com o foco quase que exclusivoas vacas em lactação. No entanto, ainda que os casos de mastite clínica sejam pouco frequentes em novilhas, a ocorrência de mastite subclínica nestes animais tem sido identificada em diversos efetivos leiteiros. De forma geral, os casos de mastite em novilhas são subestimados, pois estes animais não são submetidos a nenhuma rotina de diagnóstico de mastite até o momento em que entram em lactação. A partir de então, as novilhas infectadas apresentam elevadas contagem de células somáticas (CCS), e como consequência produzem menos leite durante a vida produtiva.

Novilhas com uma CCS elevada no período pós-parto podem manter a CCS elevada ao longo da lactação. Como consequência, estes animais com mastite apresentam redução do desenvolvimento da glândula mamária durante a primeira lactação, uma vez que o úbere destes animais ainda não se encontra totalmente desenvolvido após o primeiro parto. No entanto, o impacto da mastite sobre o desempenho das novilhas depende de: a) tipo de mastite (clínica ou subclínica), b) agente causador, c) quando ocorreu o início e a duração da infeção, d) imunidade da novilha.

Como diagnosticar a mastite em novilhas?


Considerando que casos de mastite clínica em novilhas são pouco frequentes, o diagnóstico da mastite subclínica em novilhas é realizado após o parto. Nos efetivos com rotinas de realização mensal de CCS ou do CMT (California Mastitis Test), todas as novilhas recém-paridas deveriam ser avaliadas no primeiro mês de lactação. Outra opção viável de diagnóstico da mastite em novilhas e vacas recém-paridas é a realização do CMT após o 5o dia pós-parto. Considerando que qualquer uma destas opções (CCS ou CMT), permite identificar quais vacas e quartos apresentam mastite subclínica. Para as vacas com diagnóstico positivo, é recomendada a colheita de amostras de leite para efetuar um antibiograma. Os resultados da cultura podem indicar quais as estratégias de controlo mais recomendadas, em função do tipo de agente causador. Por exemplo, novilhas com agentes causadores de mastite contagiosa (Staphylococcus aureus e Streptococcus agalactiae) podem ser segregadas em relação às demais vacas sadias (ordenhar primeiro as vacas sadias e depois as vacas com mastite) e submetidas ao tratamento com antibiótico, pois apresentam maior taxa de cura que vacas adultas e encontram-se em início de lactação.

Principais causas e prevalência da mastite em novilhas

A ocorrência de mastite em novilhas é altamente variável entre os efetivos. Os principais estudos estimaram que a prevalência da mastite em novilhas no pós-parto pode variar entre 12 a 57% de quartos infectados, o que significa que em alguns rebanhos três em cada cinco novilhas que iniciam uma lactação já apresentam mastite no pós-parto.

Dentre os principais agentes causadores de mastite isolados em novilhas, o mais frequente é o grupo dos estafilococos coagulase negativa (ECN), no entanto, outros agentes como Staphylococcus aureus e estreptococos ambientais também podem ser isolados. Os ECN formam um grupo de bactérias conhecido como patógenicos secundários por terem baixa patogenicidade (ou seja, causam poucos danos na glândula mamária em comparação com outros agentes) e estão associados à forma subclínica da doença. Porém, quando estes microrganismos persistem na glândula mamária alguns sinais clínicos da doença podem ser observados. Durante a mastite causada por ECN, poucos são os efeitos sobre a CCS do tanque. Estudos recentes indicam que cerca de 40% dos quartos mamários apresentam mastite causada por ECN nos primeiros dias de lactação (1-4 dias), no entanto, quase metade desta infecções apresenta cura espontânea após o primeiro mês de lactação.

Ainda existem algumas controvérsias relacionadas com a infecção intramamária causada por ECN, uma vez que, inicialmente, acreditava-se que estes agentes pudessem prevenir as infecções causadas por outros agentes mais patogênicos, os chamados patógenos primários (Staphylococcus aureus e Streptococcus agalactiae). Contudo, nos estudos mais recentes o efeito preventivo dos ECN contra os outros patógenicos principais não é significativo.

S. aureus também pode ser uma causa importante de mastite em novilhas. Este agente, diferentemente dos ECN, apresenta capacidade de invadir o tecido da glândula mamária e causar infecções crónicas, o que resulta numa redução da produção e qualidade do leite, além de representar uma fonte de infecção para as vacas sadias. As formas de transmissão da mastite causada por agentes contagiosos, como o S. aureus, ainda não são totalmente conhecidas. No entanto, S. aureus pode ser transmitido quando o leite de vacas com mastite, e que não foi pasteurizado, é usado para a alimentação das vitelas. O leite ingerido pode contaminar a pele dos tetos quando uma vitela mama noutra e por colonização, pode resultar em novas infecções. Desta forma, recomenda-se que as vitelas sejam criadas em instalações separadas, de forma a impedir o contato entre os animais e, consequentemente, evitar a mamada entre as vitelas. Sendo assim, o uso de leite de mamitico para a alimentação de vitelas é um fator de risco para ocorrência de mastite em vitelas e novilhas. Desta forma, esta prática de maneio apresenta riscos, a menos que o leite seja pasteurizado antes de ser fornecido às vitelas. Outra forma de transmissão é pela ação das moscas, que podem picar a extremidade dos tetos e aumentar a transmissão de agentes causadores de mastite.

A mastite ambiental em novilhas tem como principais causas os grupo de agentes conhecidos como estreptococos ambientais e Escherichia coli. O risco de transmissão da mastite ambiental é elevado no período pré-parto, quando ocorre a maior parte do desenvolvimento da glândula mamária e o acúmulo de colostro. Além disso, novilhas que apresentam edema de úbere, uma condição que depende de fatores genéticos, nutricionais e de maneio, apresentam maior risco de desenvolver mastite. A transmissão deste tipo de mastite ocorre por contaminação dos tetos a partir do ambiente com acúmulo de lama, barro e humidade. Desta forma, deficiências de higiene das instalações e do ambiente de criação das vitelas e novilhas são fatores que podem aumentar o risco de novos casos de mastite em novilhas.

Prevenção e controle de mastite em novilhas


O princípio básico para prevenção de mastite em novilhas é a redução da exposição dos animais aos agentes causadores e procurar o aumento da imunidade, visando melhorar a eficácia da resposta imune. Em termos práticos, as principais medidas recomendadas são: a) uso de instalações individuais para as vitelas durante a fase de aleitamento para evitar a mamada cruzada entre as vitelas; b) descarte ou separação de vitelas com hábito de mamada noutras vitelas; c) pasteurização do leite utilizado para a alimentação das vitelas; d) controlo de moscas nas instalações e no ambiente de criação das vitelas; e) manter elevado padrão de higiene das instalações para parição das novilhas; f) formulação de dietas para fornecer adequadas quantidades de vitamina E e selênio na alimentação; g) uso de vacinação para aumentar a imunidade (vacinas contra coliformes e S. aureus).

Mesmo com as medidas de controlo implantadas, algumas novilhas podem desenvolver casos de mastite clínica ou subclínica. Nesta situação, o tratamento intramamário com antibióticos é uma medida de controlo recomendável e de alta eficácia. O tratamento intramamário pode ser usado para reduzir a CCS e aumentar a produção de leite na lactação seguinte. No entanto, esta medida de maneio deve ser usada somente em efetivos com histórico de problemas de mastite em novilhas e que já tenham feito um diagnóstico detalhado das causas e prejuízos. Por exemplo, rebanhos com alta prevalência de mastite em novilhas recém-paridas (acima de 15% dos animais com alta CCS: > 150.000 cel/ml), podem utilizar o tratamento intramamário como medida de controlo.

O tratamento intramamário em novilhas pode ser feito por meio de dois protocolos. O primeiro consiste do tratamento de todas as novilhas como se fossem vacas secas, com o uso de tratamento intramamário único, em cada quarto, com antibiótico recomendado para secagem de vacas, aos 60 dias da data prevista do parto. Os resultados de taxas de cura deste protocolo variam em função do tipo de agente, mas podem atingir de 70 a 100%, assim como pode reduzir em cerca de 50% a CCS e aumentar a produção de leite durante os primeiros meses de lactação. Cabe lembrar que o uso do tratamento de vaca seca para novilhas apenas é recomendado para efetivos com alta prevalência de mastite e em novilhas e não deve ser uma medida recomendada para todos os efetivos. A principal vantagem deste protocolo é atuar precocemente, antes mesmo que o patógenico possa causar lesões significativas no tecido mamário. Além disso, neste regime de tratamento o risco de resíduos de antibióticos no leite após o parto é menor se não houver antecipação do parto.

Para novilhas que já ultrapassaram o período ideal de uso de tratamento de vaca seca, pode-se utilizar um protocolo de um único tratamento intramamário com antibiótico de vacas em lactação, aos 14 dias antes da data prevista do parto. Os resultados deste protocolo de tratamento indicam taxas de cura variando entre 60 a 80%, aumento de cerca de 10% da produção de leite e redução da CCS. Este protocolo apresenta a desvantagem do risco de resíduo de antibiótico no leite, caso o tratamento seja feito com menos de uma semana pré-parto. Destaca-se que para ambos os protocolos de tratamento intramamário, é fundamental o cuidado com as boas condições de higiene durante o procedimento do tratamento, o que evita os riscos de uma nova infecção durante os procedimentos de tratamento. O tratamento com antibióticos sistémicos apresenta taxas de cura menores do que os tratamentos intramamários.

Fonte: Revista Inforleite. p.40 - 42, 2012.

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