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O sexo da cria pode influenciar a produção de leite da mãe?

POR RICARDA MARIA DOS SANTOS

E JOSÉ LUIZ MORAES VASCONCELOS

CLÍNICA, REPRODUÇÃO & QUALIDADE DO LEITE

EM 02/09/2015

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*Artigo Original MilkPoint Brasil

Este texto é parte do artigo: Holsteins Favor Heifers, Not Bulls: Biased Milk Production Programmed during Pregnancy as a Function of Fetal Sex, publicado por Katie Hinde e colaboradores, na PLOS, em Fevereio de 2014 (DOI: 10.1371/journal.pone.0086169). 


A síntese de leite requer, em parte, a mobilização de reservas corporais da mãe para nutrir a cria. Inúmeras hipóteses têm sido levantadas para predizer como a mãe diferenciamente investe na cria macho ou fêmea, porém poucos estudos têm abordado o efeito do sexo da cria na produção de leite da mãe.

Neste estudo foi usada a vaca leiteira para avaliar esse fenómeno. Nas vacas de leite como o vitelo é separado da mãe dentro de poucas horas após a parição, este método permite investigar o efeito do sexo da cria pré-natal independente do efeito pós-natal, e como a vaca tem a gestação concorrente com a lactação, pois tipicamente estão gestantes em cerca de 200 dias dos 305 dias da lactação, assim, a influência do sexo da feto que esta a ser gerado durante a lactação também pode ser avaliado.

A hipótese do estudo foi que a produção de leite na primeira lactação seria afetada pelo sexo da cria produzida e pelo sexo da cria da gestação durante a lactação. E também que o efeito do sexo da cria iria persistir nas lactações subsequentes.


Figura 1: Representação esquemática do estudo.

Foram avaliadas 2.390.000 lactações, de 1,49 milhões de vacas. Foi demonstrado que o sexo do feto influencia a capacidade da glândula mamária em sintetizar leite durante a lactação subsequente. Vacas favorecem as filhas, produzindo significativamente mais leite durante a lactação para as filhas do que para os filhos.

Usando uma sub-amostra deste conjunto de dados (n = 113.750 vacas) foi possível demonstrar que o sexo do feto interage dinamicamente com a paridade, o sexo do feto que está a pode aumentar ou diminuir a produção de leite durante a lactação estabelecida. E ainda o sexo do feto da primeira gestação tem efeito nas lactações subsequentes. Vacas que no primeiro parto pariram fêmeas produziram 445Kg de leite a mais nas duas primeiras lactações, em comparação com as que pariram machos. Esses resultados demonstram que o sexo do feto programa a função da glândula mamária.


Figura 2: A gestação de filhas confere vantagens na produção de leite pós-natal, durante a gestação e entre as lactações. Vacas (n = 113.750) com dados da primeira e da segunda lactação, sem distocia ou aplicação de bST, foram usadas para avaliar os efeitos do sexo da cria na produção de leite nas duas primeiras lactações. S = gestação de macho e D = gestação de fêmea.

A) Vacas de primeira lactação que pariram fêmeas produziram mais leite do que as que pariram macho. A gestação de fêmea na segunda gestação aumenta a produção das vacas que pariram macho no primeiro parto.

B) A produção na segunda lactação é maior nas vacas que pariram fêmea no primeiro parto. E vacas que pariram macho no primeiro parto, produziram mais leite na segunda lactação quando pariram fêmea no segundo parto.

Uma questão que ainda permanece é, como é que em condições naturais o macho bovino se desenvolve mais rápido se sua mãe produz menos leite? Um explicação seria que a produção de leite é influenciada também pelo comportamento de sucção da cria, comportamento esse que não pode ser avalidado nas explorações leiteiras que separam as crias das mães logo ao nascimento.



RICARDA MARIA DOS SANTOS

Professora da Faculdade de Medicina Veterinária da Universidade Federal de Uberlândia.
Médica veterinária formada pela FMVZ-UNESP de Botucatu em 1995, com doutorado em Medicina Veterinária pela FCAV-UNESP de Jaboticabal em 2005.

JOSÉ LUIZ MORAES VASCONCELOS

Médico Veterinário e professor da FMVZ/UNESP, campus de Botucatu

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