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O uso da transferência de embriões em bovinos, nas ilhas dos Açores: passado, presente e futuro

POR DAVID GAGO DA CÂMARA DIAS PEREIRA

CLÍNICA, REPRODUÇÃO & QUALIDADE DO LEITE

EM 28/03/2014

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Este artigo surge na sequência de outro, anteriormente publicado, no MilkPoint Portugal, sobre Transferência de embriões (TE).

Em termos históricos, a transferência de embriões (TE) nas ilhas dos Açores teve o seu começo, como actividade comercial, no ínico da década de noventa. Então, um número restricto de médicos veterinários com actividade em diferentes ilhas (São Miguel e Terceira), procuraram adquirir conhecimentos específicos nesta área, junto da entidade de renome nacional, o então respeitado, Centro de Transferência de Embriões da Estação Nacional de Selecção e Reprodução Animal (Venda Nova – Amadora). Também a Associação Agrícola de São Miguel (AASM) e a Universidade dos Açores, desenvolveram esforços para dar início a esta actividade comercial, durante o mesmo período.

Em 2007, o Governo Regional dos Açores e a Secretaria Regional da Agricultura, em parceria com a Faculdade de Medicina Veterinária de Lisboa, FMV- UTL, desenvolveram um projecto de cooperação para implementação de melhoria genética no efectivo leiteiro na ilha Graciosa, com recurso à TE. Na altura foi determinante para o sua viabilização, o elevado estatuto sanitário daquela ilha. O projecto dirigido pelo Doutor João Nestor das Chagas e Silva (FMV-UTL), desenvolveu-se durante um espaço temporal alargado, com alguns interregnos. Contudo, foram obtidos resultados considerados de elevada qualidade (Chagas e Silva, 2009).

O número referente às recolhas e transferências de embriões nas Ilhas, como no continente, são reportados anualmente, à Associação Europeia de Transferência de Embriões (AETE). De Janeiro 2010 até Maio de 2013, a unidade de recolha e TE da FMV – UTL com actividade nos Açores, realizou 74 recolhas, tendo sido obtidos 440 embriões viáveis, na ilha Graciosa. Efectuaram-se 222 TE com embriões frescos (com uma taxa de gestação – TG de 60%), e 92 TE com embriões descongelados (TG de 60%). Nas ilhas do Pico e Faial, foram também registadas 10 gestações a partir de 17 TE com embriões descongelados e ainda, na ilha Terceira 29 gestações, de um total de 69 TE, igualmente com embriões descongelados (Chagas e Silva, 2014).

Na AASM, desde 2010 até 2014, foram realizadas por solicitação da comunidade, 311 recolhas de embriões, e um total de 329 TE com embriões frescos, com uma média anual de 300 TE com embriões descongelados. As TG registadas com embriões frescos, foram de 70-75%, enquanto que as TG com embriões descongelados aproximaram-se dos 45%.

Já a unidade de recolha e TE da ilha Terceira, a UNICOL/ Universidade dos Açores, no período homólogo, realizaram 150 TE com embriões descongelados, 5 TE com embriões frescos, tendo sido realizadas 31 recolhas de embriões. É de referir que, ao longo deste período, esta unidade contou, em parte do processo, com a colaboração da Direccção Regional de Desenvolvimento Agrário, em parceria com o Doutor João Nestor das Chagas e Silva.

“... fazer chegar a genética açoreana a outros locais do mundo.”


O facto da AASM, da UNICOL e de outras Associações, nas diferentes ilhas, fazerem esforços, de há muitos anos até este momento, para a realização de uma feira anual de exposição/ concurso dos melhores exemplares de bovinos leiteiros, tem sido determinante para o progressivo uso desta tecnologia reprodutiva. A consciencialização dos empresários agrícolas para a mesma, foi sendo feita ao longo dos anos, mas deverá ser ainda mais incentivada, pois são eles uma parte muito importante do processo. Estas associações de produtores têm tido a inciativa, de fazer chegar aos Açores, juízes internacionais, demonstrando o quão elas se preocupam em melhorar, promover e criar competitividade, no sector agrícola, e no que se refere à genética dos bovinos de leite açoreanos.

No ano transacto, e no decurso do XII Concurso Micaelense da Raça Holstein Frísia, organizado pela AASM, o muito respeitado juíz canadiano e também juíz internacional, Callum McKinven, co-proprietário da exploração de renome Lookout Holsteins and Jerseys, que já avaliou por oito vezes o World Dairy Expo e já esteve como juíz em vinte e oito países, afirmou ter “adorado ver os animais nos pastos e encostas, mas sobretudo ter ficado positivamente impressionado com a qualidade das vacas Frísias que encontrou na ilha de São Miguel”, em entrevista à revista daquela Associação.

É opinião unânime a excelência morfo-funcional dos animais presentes em diversas explorações açoreanas e do investimento feito, com esse objectivo, por parte dos produtores, ao longo dos anos, usando sémen dos melhores toiros, colocados no mercado mundial de genética bovina Holstein.

Também são esclarecedores e importantes, os dados fornecidos pela Associação Portuguesa de Criadores da Raça Frísia (APCRF) sobre a classificação morfo-funcional dos bovinos açoreanos. Desde 2010 até ao presente ano, foram classificados 19205 vacas, e de entre estas, 118 obtiveram classificação excelente (EX – 90-100), 2688 muito bom (MB – 85-89), 12166 animais com bom mais (BM – 80-84), 3962 com bom (B – 75-79) e, 270 com classificação regular (R – 65-74). Com estes dados, poderá inferir-se que a qualidade animal é significativamente boa no arquipélago açoreano.

É assim, de grande importância, a construção de um futuro com objectivos claros, com a intenção de fazer chegar a genética açoreana a outros locais do mundo, tendo aí a TE um papel fulcral. Apesar de ser um mercado extremamente competitivo e volátil, existirá sempre lugar para animais de qualidade comprovada. Claro está, que deverão estar sempre presentes e reunidas, por parte das várias entidades e parceiros, todos os ingredientes para o bom funcionamento de todas as etapas do processo, começando pela criação de equipas multidisciplinares motivadas, capazes de gerir programas de ovulação múltipla e transferência de embriões e, equipas responsáveis pela comercialização interna/externa dos embriões de superior valor acrescentado.

O alvo principal de todo esse investimento, poderá ser a colocação dos embriões em países com economias emergentes, ou através da sua integração em redes de comercialização e marketing dos mesmos. No entanto, poderão surgir outras formas e ideias, para transacção deste produto, debatidas e sugeridas de forma equilibrada, para benefício de todas as partes.

Em suma, a colocação de metas, no melhoramento genético dos efectivos leiteiros, por parte dos empresários agrícolas açoreanos, ao longo dos anos, tem produzido efeitos comprovados e quantificáveis. Assim, a TE poderá assumir um papel de alavanca, potenciando não só os efectivos locais, nacionais, como também em outros locais do mundo. Contudo, é de enorme importância obedecer a critérios rigorosos de qualidade e controlo, de forma a evitar irregularidades e atitudes negligentes.



Referências

Chagas e Silva, J. (2009). Transferência embrionária em bovinos leiteiros na Ilha Graciosa (Açores): Programa experimental de transferência de embriões sexados e congelados da raça Holstein Frísia. Revista Portuguesa de Ciências Veterinárias, 104, pp 469-572

Chagas e Silva, J. (2014). Arquivo com resultados agregados do número de recolhas, transferências de embriões e respectivas taxas de gestação, no arquipélago dos Açores, realizadas pela Faculdade de Medicina Veterinária de Lisboa - UL. Resultados não publicados.

XII Concurso Micaelense. Revista da Associação Agrícola de São Miguel – Cooperativa União Agrícola, pp 6-7

Agradecimentos

Ao Doutor João Nestor das Chagas e Silva (FMV-UL), pelo fornecimento dos dados e revisão do artigo.
À Associação Agrícola de São Miguel – Cooperativa União Agrícola pelo fornecimento dos dados.
Ao Dr. João Fagundes, Director de Subcentro de Inseminação Artificial de Bovinos e Caprinos da empresa UNICOL, UCRL, pelo fornecimento de dados.
Ao Eng. Samuel Pinto (APCRF), pelo fornecimento dos dados estatísticos de classificação bovina.
 

DAVID GAGO DA CÂMARA DIAS PEREIRA

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MAAIKE SMITS

LISBOA - LISBOA - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 14/01/2015

Após contatar uma exploração produtora de leite e queijo de cabra, consegui a seguinte informação:



Material hormonal: 5 ?/animal por ano

Médico veterinário: 20 ?/animal por ano

Dose de sémen: 40? /animal por insiminação

Taxa de sucesso: 35 a 40%

Isto pelas minhas contas dá um custo de aproximadamente 120?/cabra gestante através de insiminação.



A proprietária que me facultou estes dados acrescentou que é um investimento dispendioso, mas é uma boa forma para renovar alguma genética da exploração.



Espero que estes dados respondam à sua questão.
DIOGO ARAÚJO

EM 30/11/2014

quanto custa inseminaçao para cabras?
TRAVASSOS

PRODUÇÃO DE LEITE

EM 14/04/2014

LEITE,BEBA SEM MODERAÇÃO
DAVID GAGO DA CÂMARA DIAS PEREIRA

PONTA DELGADA - AÇORES - MÉDICO VETERINÁRIO

EM 07/04/2014

Muito obrigado Sr. Roberto, pelas palavras de incentivo.



Cumprimentos!
DAVID GAGO DA CÂMARA DIAS PEREIRA

PONTA DELGADA - AÇORES - MÉDICO VETERINÁRIO

EM 07/04/2014

Muito obrigado Dr. João.



Espero continuar a corresponder às expectativas.



Cumprimentos!
JOÃO SILVA

ANGRA DO HEROISMO - AÇORES - MÉDICO VETERINÁRIO

EM 04/04/2014

Caro David,



Achei o artigo muito interessante e dá uma imagem do momento actual da TE nos Açores. Os dados sobre a classificação morfológica das vacas Holstein também espelha bem a qualidade dos animais que podemos encontrar nas pastagens açoreanas.



Parabéns!
DAVID GAGO DA CÂMARA DIAS PEREIRA

PONTA DELGADA - AÇORES - MÉDICO VETERINÁRIO

EM 04/04/2014

Muito obrigado pelo comentário Senhor Roberto Pachco! Prometo continuar a contribuir com informação com utilidade para a comunidade.



Os melhores cumprimentos.
ROBERTO PACHECO

PRODUÇÃO DE LEITE

EM 04/04/2014

Parabéns sinceros pela disponibilização da informação e pelo seu trabalho. Todos os artigos que nos permitam olhar para o sector, e para cada uma das suas vertentes, de uma holística são bem-vindos. Este pela leitura histórica presente destaca-se pela positiva.