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Prejuízos de longo prazo provocados pela mastite clínica causada por Escherichia coli

*Adaptado a partir de um artigo original MILKPOINT Brasil

Por Tiago Tomazi* & Marcos Veiga dos Santos

Escherichia coli é o principal coliforme causador de mastite clínica em efetivos leiteiros. Este micro organismo é considerado um agente patogénico ambiental e pode causar mastite clínica com sintomas agudos. A sintomatologia clínica da mastite causada por E. coli pode variar de leve, com apenas sintomas inflamatórios na glândula mamária, até a forma super-aguda, com sintomas sistémicos que incluem estase ruminal, desidratação, choque, e até mesmo, a morte da vaca. Além disso, infeções intra-mamárias persistentes causadas por E. coli podem ocorrer.

O tratamento com o uso de antibióticos ou a secagem do quarto mamário afetado, na maioria das vezes, elimina a infecção, porém, o completo restabelecimento da glândula mamária pode levar mais tempo do que a melhora clínica da vaca acometida. No momento da infecção, estirpes genotipicamente similares de E.coli podem ser isoladas tanto do leite quanto do sangue, o que sugere que os factores de virulência associados com a septicémia podem afetar a vaca por períodos superiores à fase clínica. Além disto, o impacto económico da mastite causada por E. coli inclui efeitos pós-infeção que irão culminar na perda de produção e a redução da qualidade do leite por períodos prolongados.

Um grupo de investigadores de Israel estudou os efeitos a longo prazo de infecções intra-mamárias causadas por E. coli associadas com diversas apresentações clínicas sobre a produção e a qualidade do leite.
Inicialmente, amostras de leite dos quartos afetados com mastite clínica foram submetidas à cultura microbiológica para identificar os agentes patogénicos causadores da infecção intra-mamária. Vacas diagnosticadas com E. coli, tiveram medições diárias da produção, da composição do leite e a contagem de células somáticas (CCS) do quarto afetado. Análises de contagem diferencial de leucócitos e de parâmetros de coagulação do leite também foram realizadas a partir das amostras recolhidas. Além disto, os isolados de E. coli foram submetidos a análise de diferenciação genotípica para a identificação de subespécies.

Neste estudo, as vacas avaliadas possuíam, em média, 3,3 lactações, 131 dias em lactação e produziam cerca de 45,7 ± 8,4 L de leite por dia. Dois tipos de perfil de inflamação foram identificados durante o estudo: “inflamação de curta duração”, caracterizada pela redução inferior a 15% na produção diária de leite e menos de 30 dias para retornar à produção normal; e, “inflamação de longa duração”, caracterizada por redução superior a 15% da produção diária de leite e mais de 30 dias para atingir nova produção máxima de leite. A Figura 1 demonstra os dois perfis de inflamação decorrentes da mastite clínica causada E. coli.


Figura 1Curva de lactação de uma vaca caracterizando o perfil de inflamação de curta duração (A) ou de inflamação de longa duração (B). A área marcada a cinzento ilustra a perda de produção devido à infecção intra-mamária. As setas vermelhas indicam o início da infecção intra-mamária clínica causada por Escherichia coli. (Fonte: Adaptado de Blum et al. 2014).

A estimativa de perda de leite durante o estudo foi de 200 L para as vacas com inflamação de curta duração, e de 1.500 L para as vacas com inflamação de longa duração. Nesta estimativa de perda de produção está incluído o leite rejeitado durante os períodos de tratamento e de carência dos antibióticos utilizados. Durante o estudo, a E. coli afetou 24 vacas e foi responsável pela perda de aproximadamente 30.000 L de leite no total.

Mesmo com tratamentos à base de antibióticos, uma vaca afetada 14 dias após o parto permaneceu persistentemente infectada com E. coli por mais de 175 dias. Esta vaca apresentou novos episódios de mastite clínica aos 2, 4 e 6 meses após o primeiro diagnóstico, nos quais, a mesma estirpe de E.coli foi isolada das amostras de leite.

Diferenças de composição e qualidade do leite de vacas infectadas com E. coli também foram observadas entre inflamações de curta e longa duração.

A reação imune da mastite clínica após quatro dias do diagnóstico também foi diferente entre as vacas caracterizadas com inflamação de curta duração em comparação com as vacas que apresentaram inflamação de longa duração.
As vacas com inflamação de curta duração apresentaram contagens mais altas de neutrófilos polimorfonucleares (PMN) e mais baixas de macrófagos que as vacas que apresentaram inflamação de longa duração. A CCS e a distribuição de leucócitos em vacas que apresentaram inflamação de curta duração retornaram ao normal em 28 dias após o diagnóstico da mastite clínica, enquanto que as vacas com inflamação de longa duração permaneceram com a CCS significativamente elevada com mais de 80% de PMN até o final do estudo.
A alta concentração de PMN no leite das vacas com inflamação de longa duração sugere a existência de lesões graves no tecido mamário. Além disso, isto demonstra que o processo inflamatório permanece ativo independente da cura clínica pela glândula mamária.

Os resultados deste estudo sugerem que os efeitos causados por infecções intra-mamárias causadas por E. coli vão muito além do impacto económico direto em torno do episódio de mastite clínica. Podem ocorrer prejuízos de longo prazo sobre a produção e composição do leite, em consequência do processo inflamatório da mastite causada por E. coli, bem como a perda de qualidade do produto in natura e dos seus derivados. Além disto, o potencial de persistência de infecções intra-mamárias causadas por E. coli é uma informação relativamente recente que deve ser considerada nas práticas de maneio e prevenção de mastite nos efectivos leiteiros.

Fonte: Blum et al. (2014). Long term effects of Escherichia coli mastitis. The Veterinary Journal, v. 201, 72-77.

*Investigador em nível de doutoramento do Programa de Pós-graduação em Nutrição e Produção Animal, FMVZUSP.


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