FAZER LOGIN COM O FACEBOOK ESQUECI MINHA PASSWORD SOU UM NOVO UTILIZADOR

Relação genética entre mastite clínica, produção de leite e CCS

Bruna Gomes Alves* e Marcos Veiga dos Santos
(MILKPOINT BRASIL)

As cadeias de produção animal têm trabalhado intensamente com programas de seleção durante os últimos 60 anos nos quais são selecionados os animais superiores para algumas características zootécnicas tais como ganho de peso, a produção de leite e a composição. Os maiores avanços foram observados em meados do século 20, com o advento da genética quantitativa, que engloba princípios da hereditariedade.

Em resposta às mudanças nos hábitos alimentares dos consumidores, tem ficado cada vez mais evidente a necessidade da seleção genética ser aplicada não só para a eficiência da produção de derivados, mas também sobre a qualidade do que é produzido. Assim, o foco da produção de leite tem deixado de ser apenas sobre o volume de leite, mas também sobre a qualidade do mesmo.

Ainda assim, o conceito de qualidade tem ganho mais atributos desde então, como os efeitos do bem-estar e a adaptação ao meio ambiente. Em resposta a essas variáveis, têm vindo a ser aplicados vários métodos, desde os mais antigos como os cruzamentos ou a seleção até as informações mais recentes originadas pela biotecnologia e a genómica, de forma a que o rebanho se desenvolva e seja rentável, e principalmente para que o número de animais geneticamente superiores continue em crescimento.

Nos últimos anos, os pesos das características ligadas à saúde também aumentaram em relação à produção; estas incluem a duração da vida produtiva (longevidade), número de células somáticas (CCS), facilidade de parto, etc. Desta forma, torna-se importante o desenvolvimento de bases de dados cada vez mais completas para que a seleção genética seja aplicada de forma eficaz. No Canadá, uma base de dados de registos de doenças de vacas leiteiras iniciada em 2007 tem relacionado pelo menos oito doenças conhecidas por alterar a lucratividade de um rebanho. São elas: mastite clínica, deslocamento de abomaso, cetose, hipocalcémia, retenção placentária, metrite, quisto ovárico e claudicações.

Alguns estudos avaliaram a relação entre a resistência a algumas dessas doenças com a produção de leite, para o uso como um dos critérios de seleção para vacas leiteiras. Entretanto, devido à falta de dados, a seleção para resistência à mastite em muitos países é baseada somente em informações disponíveis, como a CCS. Recentemente, alguns estudos aplicaram equações de regressão para investigar as relações entre mastite e produção ou mastite e CCS durante a lactação. Assim, um estudo recente foi realizado com a finalidade de se avaliar as relações genéticas de três das doenças mais frequentes em vacas leiteiras (mastite clínica, quistos ováricos e claudicação) com a produção de leite e CCS na primeira lactação.

Os dados foram obtidos por produtores durante quatro anos, desde abril de 2007 a abril de 2011 e armazenados pela rede canadiana de registos de vacas leiteiras em Guelph, Canadá. Todos os rebanhos que detinham de pelo menos dois registos de doença foram considerados e então, foram aplicados modelos de regressão a todos os dados obtidos para que fossem feitas as correlações desejadas.

Foram observadas frequências médias para mastite clínica de 12,7%, quistos ováricos 8,2% e claudicações 9,1% Além disso, pode observar-se uma alta proporção de mastite clínica (35%) no primeiro mês de lactação, ao passo que esse número diminui com o avanço dos dias em lactação (Figura 1). Quanto à herdatabilidade, ou seja, a proporção da variabilidade total das características fenotípicas que a progénie manifesta (neste caso ocorrências de doenças) que pode ser atribuída ao efeito genético. Neste caso, todas as características de ocorrência de doenças apresentaram, valores baixos: mastite clínica (0,03), quistos ováricos (0,03) e claudicação (0,02).




As correlações genéticas entre a produção de leite e a ocorrência de mastite clínica foi de 0,40 e para a ocorrência de quistos ováricos foi de 0,26.. A correlação genética entre a produção de leite e a ocorrência de claudicação não foi significativa. A correlação média genética entre mastite clínica e CCS foi moderada (0,59) e consistente ao longo da lactação. Isto está de acordo com um estudo anterior, onde as correlações genéticas entre mastite clínica e CCS, no início e final da lactação foram quase idênticas (0,69 e 0,68, respectivamente) (Figura 2).


Assim, a produção de leite foi negativamente correlacionada com a mastite clínica e quistos ováricos, o que indica o antagonismo da produção de leite com a resistência às doenças. Além disso, as CCS foram altamente correlacionadas com a mastite clínica e a magnitude dessa associação mostrou-se constante durante a lactação. Portanto, este estudo indicou que considerando que as características de produção de leite e ocorrência de doenças são antagónicas, existe a necessidade da inclusão dos registos da saúde dos animais, manifestações clínicas das principais doenças nos programas de seleção genética, além das informações sobre a produção de leite.

Fonte: KOECK, et al. Genetic relationships of clinical mastitis, cystic ovaries, and lameness with milk yield and somatic cell score in first-lactation Canadian Holsteins J. Dairy Sci. v. 97, p. 5806-5813, 2014.
* Mestranda do Programa de Pós-graduação em Nutrição e Produção Animal, FMVZ-USP.

ARTIGO EXCLUSIVO | Este artigo é de uso exclusivo do MilkPoint.PT, não sendo permitida sua cópia e/ou réplica sem prévia autorização do portal e do(s) autor(es) do artigo.

0

DEIXE SUA OPINIÃO SOBRE ESSE ARTIGO! SEGUIR COMENTÁRIOS

5000 caracteres restantes
ANEXAR IMAGEM
ANEXAR IMAGEM

Selecione a imagem

INSERIR VÍDEO
INSERIR VÍDEO

Copie o endereço (URL) do vídeo, direto da barra de endereços de seu navegador, e cole-a abaixo:

Todos os comentários são moderados pela equipe MilkPoint.PT, e as opiniões aqui expressas são de responsabilidade exclusiva dos leitores. Contamos com sua colaboração. Obrigado.

SEU COMENTÁRIO FOI ENVIADO COM SUCESSO!

Você pode fazer mais comentários se desejar. Eles serão publicados após a analise da nossa equipe.