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Riscos potenciais da administração de leite de desperdício aos vitelos

O leite de desperdício está estimado em cerca de 22 a 62 kg por vaca por ano (Blosser 1999) sendo por isso uma tentadora e disponível fonte de alimento para vitelos. No entanto o custo da sua utilização indiscriminada pode ser a curto e/ou longo prazo bastante elevado para o produtor.

Como leite de desperdício podemos considerar leite proveniente de vacas com mastite ou sujeitas a tratamentos farmacológicos (antibiótico ou não) que provoquem resíduos no leite. Em resumo, todo o leite que o produtor rejeita como adequado para venda ou produção de produtos alimentares humanos.

Alguns dos riscos da sua administração incluem o eventual contributo para o desenvolvimento de resistências aos antibióticos, efeitos negativos de endotoxinas e a possível transmissão de doenças infeciosas.

A dose de antibióticos eventualmente presente no leite administrado aos vitelos será variável ao longo do tempo uma vez que depende do número de vacas em tratamento que contribuíram para o mesmo, do esquema de tratamento (dosagem e frequência de administração) e do antibiótico em causa e sua forma de dispersão pelos tecidos e via de excreção. Também a quantidade de leite fornecida e esquema de administração é relevante para a transmissão de resíduos de antibiótico.

Num estudo realizado por Langford et al. (2000) recorrendo ao tratamento de vacas com penicilina G e posterior alimentação de vitelos com o seu leite, foi possível concluir que no leite da 1ª ordenha após o tratamento eram excretados 1,8 a 50,4 μl/kg de resíduos do antibiótico descendo este valor para 0.01 μl/ kg no ultimo dia do intervalo de segurança.

O mesmo estudo concluiu que vitelos alimentados com leite contendo valores de penicilina G superiores a 6,25 μl/kg apresentavam resistência a este antibiótico.

O aparecimento de resistências não é só preocupante no que concerne à saúde e dificuldade no combate de futuras infeções do animal como também representa um elevado risco para o Homem.

Por outro lado, estes resíduos ao eliminarem ou inibirem certas bactérias comensais, promovem um distúrbio da microflora intestinal levando ao aparecimento de diarreia e disbiose com particular impacto em animais jovens.

Também através da alimentação de vitelos com leites de desperdício é possível a transmissão, direta ou indireta, de agentes patogénicos como o Mycobacterium paratuberculosis, Salmonela spp, Mycoplasma spp., Listeria monocytogenes, Campylobacter spp., Mycobacterium bovis, Escherichia coli, Streptococcus spp., Enterobacteriaceae e Staphylococcus spp.

A título de exemplo, podemos referir que leite de desperdício proveniente de vacas com mastite por mycoplasma spp. é a causa primária de problemas respiratórios nos vitelos alimentados com o mesmo (Butler et al., 2000; Gonzalez and Wilson, 2003).
Através destas práticas fica, assim, facilitada a disseminação e perpetuação de doença nos efetivos contribuindo para o aumento da mortalidade e morbilidade da exploração e consequentes perdas económicas.  

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INÊS REBELO

ESTARREJA - AVEIRO - MÉDICO VETERINÁRIO

EM 04/02/2014

Embora existam outros métodos de processamento do leite de descarte afim de o tornar "mais seguro" (tais como a fermentação)  a melhor opção é sem dúvida recorrer à pasteurização do mesmo.
MIGUEL SÁ

PRODUÇÃO DE LEITE

EM 04/02/2014

A única maneira segura de utilizar "leite de descarte" para as vitelas é pasteurizando esse mesmo leite. Se não tivermos possibilidade de pasteurizar o leite, o leite de substituição é a melhor opção. Não esquecer que os antibióticos não são eliminados com a pasteurização.

Se quisermos utilizar leite proveniente do tratamento de mastite para pasteurização. Devemos eliminar o leite proveniente das primeiras ordenhas depois do tratamento, pois a medida que ordenhamos vai diminuindo a concentração do antibiótico (intervalo de segurança) .