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Sugestões para reduzir as perdas gestacionais

*Baseado num artigo escrito por Klibs N. Galvão e José Santo

As perdas de gestação nas vacas leiteiras são extensas, complexas e em muitas situações difíceis de serem estimadas. Em muitos casos, estas perdas são subestimadas devido às dificuldades que existem na exploração de determinar com precisão a concepção inicial após a inseminação.

O que é a perda da gestação?

Pode parecer simples, mas uma das primeiras coisas é definir o que é a perda gestacional uma vez que esta é definida pelo momento da gestação em que ocorre.
As perdas de gestação antes do dia 24 indicam perdas embrionárias precoces (geralmente associadas à falha do reconhecimento materno da gestação), e, as que ocorrem entre os dias 24 e 42 dias indicam perdas embrionárias tardias.

Perdas de gestação detectadas entre os 42 e 260 dias de gestação são caracterizadas como perdas fetais ou abortos. Um vitelo que nasce morto entre os 260 dias e o termo da gestação (aproximadamente 280 dias) é definido como um nado morto.

Geralmente, o que acontece?

Na maioria das explorações, as perdas de gestação são apenas observadas e anotadas após um diagnóstico de gestação inicial, que é realizado aproximadamente 30 a 45 dias após a inseminação. Mas, em várias investigações, com avaliações confiáveis de fertilização, chegou-se à conclusão de que mais de 60 por cento de todas as gestações são perdidas antes o término das mesmas (nascimento do vitelo) nas vacas leiteiras.

Regra geral, o período crítico é desde a fertilização até ao final da fase de diferenciação, (o período desde a concepção até ao dia 42 quando o embrião se torna o feto) no qual ocorrem cerca de 85 por cento das perdas. Apesar das perdas fetais serem menores, (cerca de 15 por cento) em comparação com as perdas embrionárias, estas têm um impacto económico mais pesado que as perdas embrionárias e por isso, não podem ser negligenciadas.

Factores de risco

Há uma série de causas para as perdas de gestação, o que aumenta o desafio para os produtores. Os factores de risco conhecidos incluem:
  • Longos períodos de dominância folicular
  • Concentração de progesterona reduzida ou basal durante o desenvolvimento dos folículos ovulatórios
  • O stress térmico
  • Doenças pós-parto e transtornos como distócia, metrite, endometrite, mastite, febre, cetose e claudicações
  • Problemas digestivos
  • Balanço energético negativo e perda de peso corporal excessivo
  • Toxinas encontradas na alimentação
  • Agentes infecciosos, tais como Neospora caninum, Leptospira spp., Campylobacter spp., os vírus do BVD e do IBR

Reduzir os riscos

É possível reduzir a incidência das perdas gestacionais através de estratégias que impeçam ou controlem os factores de risco.
Por exemplo, os efeitos negativos do folículo dominante prolongado, na fertilidade das vacas leiteiras, têm sido associados à qualidade do embrião prejudicado. Uma abordagem que pode melhorar a taxa de gestação em vacas leiteiras em lactação é reduzir o intervalo entre a primeira dose de GnRH do programa Ovsynch e a prostaglandina F-2 alfa (PGF2a) de sete para cinco dias, de forma a reduzir o período do folículo de dominância. Esta abordagem aumenta a taxa de gestação, embora seja necessária uma segunda dose de PGF2a administrada 24 horas após a primeira.

Além disto, as vacas leiteiras de alta produção são particularmente sensíveis ao stress térmico e este afeta a fertilização, em particular o desenvolvimento embrionário inicial, especialmente entre os dias 1 a 3 de gestação.
O melhor plano de redução do calor é um arrefecimento adequado. Estratégias de arrefecimento eficazes estão baseadas na maximização da troca de calor, convecção, condução, radiação e evaporação.
Estas estratégias devem incluir:
  • O movimento do ar (ventiladores)
  • Molhar (imersão) a superfície corporal da vaca
  • Névoa de alta pressão (evaporação) para arrefecer o ar no ambiente da vaca
  • Instalações que minimizem a transferência de radiação solar
Outra estratégia que tem sido sugerida, mas que requer mais investigação, é a transferência de embriões colhidos durante o inverno ou a transferência de embriões produzidos in vitro.

Melhorar a saúde

A fertilidade está associada ao estado de saúde de uma vaca, especialmente às perturbações relacionadas com partos e doenças que afetam o trato reprodutivo.

Vacas com distocia, metrite ou endometrite clínica são 50 a 63 por cento menos prováveis de retomar a atividade cíclica até o final do período voluntário de espera, o que tem implicações importantes para o desenvolvimento do embrião.

Além disto, as vacas com pelo menos uma das desordens anteriormente citadas, tiveram uma redução de 25 a 38 por cento de ficarem prenhas após o primeiro parto em comparação com vacas saudáveis, e foram 55-67 por cento mais propensas a perderem a sua gestação durante os primeiros 60 dias, refere o autor.

Vacas com doenças uterinas tiveram uma ingestão de matéria seca mais baixa no período pós parto e foi verificada uma função imunológica diminuída. Desta forma, estratégias que maximizem a ingestão de MS no pré e no pós parto têm um impacto positivo na função imunológica, diminuído a incidência de doenças uterinas.

É também sugerido que se adeqúe a alimentação no período pré-parto para reduzir a incidência de hipocalcémia subclínica e melhorar a função imunológica.

Outras doenças não directamente associadas ao aparelho reprodutor, também têm sido implicadas na sobrevivência embrionária. Vacas com febres superiores a 39.5ºC durante os dois primeiros meses após o parto registaram uma taxa de gestação 40 por cento inferior após a primeira inseminação e verificou-se que estavam duas vezes mais propensas a perder as suas gestações entre o primeiro e o segundo mês de gestação.

O vírus da diarreia viral bovina (BVD) permanece uma importante causa de aborto. A sua principal forma de prevenção é eliminar os animais persistentemente infectados do efetivo e a vacinação contra a BVD a cada seis meses.

Monitorizar a condição corporal

O estado da condição corporal, principalmente no momento do pico de lactação, também está intimamente relacionada com a taxa de sucesso da gestação, especialmente a partir da segunda lactação. As vacas com uma classificação baixa de condição corporal (CC), quer no parto quer no momento da primeira IA pós-parto, estão mais propensas a perderem as suas gestações entre os dias 30 e 58 da gestação.
Vacas que mantiveram a sua condição corporal durante os primeiros 70 dias pós-parto e as que perderam menos de uma unidade de CC, nos estudos, foram entre 48 a 62 por cento menos propensas a perderem a sua cria entre o primeiro e o segundo mês de gestação.

Conclusões


Executar programas de gestão da nutrição e protocolos que impeçam perdas significativas de CC durante o período de transição, monitorizar a presença de toxinas, vacinar e tomar as medidas adequadas para reduzir o impacto destes potenciais problemas tem todo o interesse.

Em última análise, ao passo que há uma miríade de desafios que afetam a fertilidade das vacas leiteiras, há também uma série de medidas que os produtores podem tomar para reduzir a influência destas complicações. O autor realça que é crucial trabalhar a par com o seu veterinário e nutricionista de forma a implementar e monitorizar as estratégias necessárias para reduzir as perdas de gestação e melhorar o desempenho da sua exploração.

Sobre o autor

Klibs N. Galvão é professor e coordenador de estágios na Faculdade de Medicina Veterinária da Universidade de Florida e membro da Comissão de Educação de Reprodução em Bovinos Leiteiros da instituição.

Fonte: Este artigo foi originalmente publicado a 20-02-2015 no site do Progressive Dairyman e foi traduzido e adaptado pela equipa do MilkPoint

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MAAIKE SMITS

LISBOA - LISBOA - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 21/04/2015

Prezado Dr. Paulo,



Muito obrigada por esta partilha de informação, extremamente útil para os produtores de leite que aplicam o programa Ovsynch (que também é o meu caso) como para todos os intervenientes na produção leiteira.



Agradeço desde já também pela futura partilha após a conclusão do estudo referido.



Com os melhores cumprimentos,

Maaike Smits, em nome da equipa MilkPoint Portugal
PAULO CARVALHO

PESQUISA/ENSINO

EM 20/04/2015

Maaike



O protocolo de 5 dias (5 dias entre a primeiro tratamento de GnRH e a PGF) funciona bastante bem (principalmente em novilhas), e dependendo das condicoes de cada exploracao pode ser uma opcao viavel para controlo da reproducao. Nao acho que se aplique as condicoes das exploracoes em Portugal.



E certo que o corpo luteo com 5 dias nao regride a um tratamento unico de PGF, sendo necessario a adminsitracao de uma segunda dose de PGF em vacas sincronizadas com este protocolo para garantir a regressao do corpo luteo e niveis aceitaveis de fertilidade. Requer obrigatoriamente mais um tratamento hormonal.



Nao existem dados na literatura cientifica que suportem a diminuicao das perdas embrionarias ou de gestacao em vacas sincronizadas com o protocolo de 5 dias, como sugerido pelos autores do artigo. Os dados obtidos pelos proprios autores desse artigo mostram que a percentgem de vacas que perde a gestacao nao e diferente entre vacas sincronizadas com o protocolo de 7 dias (4.2%) comparado com vacas sincronizadas com o protocolo de 5 dias (6.3%). Se existe alguma relacao entre a duracao do protocolo e perda de gestacao, as perdas sao maiores com o protocolo de 5 dias.  



Por outro lado, a melhoria da fertilidade que tem sido observada e devido a administracao da segunda PGF e nao a diminuicao da duracao do protocolo. Se adicionar um segundo tratmento de PGF no protocolo de 7 dias, a fertilidade e igual a de vacas sincronizadas com o protocolo de 5 dias. Estes dados serao apresentados em Julho proximo durante a conferencia do ADSA e foram obtidos num projecto de colaboracao entre a universidade do Wisconsin e um grupo de investigadores em Portugal, e terei todo o gosto em partilhar assim que os resumos sejam publicados online.



Paulo
MAAIKE SMITS

LISBOA - LISBOA - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 20/04/2015

Estimado Dr. Paulo Carvalho, em primeiro lugar, em nome da equipa do MilkPoint agradeço o seu comentário e a sua observação.



Este artigo é apenas uma tradução de uma publicação da Progressive Dairyman, pelo que essa alteração no protocolo Ovsynch é sugerida pela mesma.



Qual a sua experiência pessoal com este programa?



Com os melhores cumprimentos,

Maaike Smits, em nome da equipa MilkPoint Portugal
PAULO CARVALHO

PESQUISA/ENSINO

EM 19/04/2015

Artigo interessante, mas com um erro na parte da utilizacao de protocolos de sincronizacao. Diminuir o intervalo entre a primeira dose de GnRH do programa Ovsynch e a prostaglandina F-2 alfa de sete para cinco dias nao aumenta a taxa de gestação nem diminui a perda de gestação